Campinas, julho de 2005
Introdução
Quando ainda não existiam as grandes rodovias do Estado de São Paulo e tudo era pastagem, plantação de café ou apenas mato fechado, essas terras foram cruzadas por homens com uma missão. Munidos de livros e revistas escritos em língua estrangeira, estabeleceram a mensagem adventista entre famílias de imigrantes. Na região central do estado, a história dos primeiros adventistas batizados no Brasil marca um passado que serve de encorajamento para superar as dificuldades do presente e orientação para os desafios do futuro.
O objetivo deste breve histórico é resgatar alguns dos principais momentos do desenvolvimento administrativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia, no Estado de São Paulo, focalizando principalmente a progresso da Igreja no território da Associação Paulista Central, atualmente composta por mais de 40 mil membros, 57 distritos pastorais e 182 cidades, com uma população aproximada de 9 milhões de habitantes.
O relato é dividido em três capítulos. O primeiro é baseado na mais completa obra sobre os primeiros anos do adventismo em São Paulo, escrita pelo Dr. Ruy Vieira de Camargo, presidente da Sociedade Criacionista Brasileira. Ele narra a história de Guilherme Stein Jr., primeiro converso adventista batizado no país e uma das mais importantes figuras dos primeiros anos da igreja . O capítulo seguinte conta, em linhas gerais, as divisões territoriais do Estado de São Paulo até a criação da Associação Paulista Central e avança narrando as realizações da igreja nessa região até o ano 2001. O último capítulo retrata a expansão da Igreja nos anos de 2002 a 2005, finalizando com a construção da nova sede administrativa do Campo.
A todos aqueles que construíram com seus esforços a história de sucesso deste Campo, a mais sincera admiração. A Deus toda glória!
Primeiros passos
Dos primórdios ao estabelecimento da Associação Paulista
Ao celebrar a inauguração de uma nova sede administrativa para a Associação Paulista Central da Igreja Adventista do Sétimo Dia, realizada em 12 de junho de 2005, contemplamos um a fato que se insere em mais de um século de história.
Pela obra de Publicações teve início a mensagem adventista no Brasil. Em maio de 1893 chegou ao país o primeiro colportor adventista, Albert Stauffer. Logo se juntaram a ele E. W. Snyder e C. A. Nowlen. Rio Claro, Piracicaba e cidades vizinhas foram o palco da peregrinação desses primeiros colportores. Ali eles lançaram a boa semente e puderam ver o primeiro fruto colhido para a mensagem adventista no país.
Nas águas do rio Piracicaba, foi batizado Guilherme Stein Jr., o primeiro converso adventista. A cerimônia foi realizada em abril de 1985, oficiada pelo pastor Frank H. Westphal, o primeiro missionário ordenado a servir oficialmente a igreja na América do Sul. O contato inicial de Guilherme Stein Jr. com a mensagem adventista se deu com a leitura de O Grande Conflito , em alemão, adquirido pela avó de sua esposa, Margarida Kräenbül. Ao concluir a leitura, Stein solicitou mais informações e literatura dos adventistas do sétimo dia. Ele escreveu a W. H. Thurston, que em agosto de 1884 havia desembarcado no Rio de Janeiro para manter um entreposto de literatura adventista auto-sustentado. Nascia ali a primeira loja do atual Serviço Educacional Lar e Saúde.
Após o batismo de Stein, o pastor Frank Westphal seguiu para Rio Claro, acompanhado por Stauffer, onde batizaram Guilherme Meyer e Paulina Meyer. O roteiro de batismos foi concluído em Indaiatuba, onde Guilherme Stein, pai, sua esposa, Ana Bárbara Kräenbül, e mais quatro filhos do casal também aceitaram a mensagem adventista. Logo após o batismo dos novos conversos de Indaiatuba foi estabelecida a primeira Escola Sabatina no Brasil, em 1895.
Convicto da mensagem adventista, Guilherme Stein Jr. assumiu papel de destaque no fortalecimento da igreja adventista no Brasil, em seus primeiros anos. Ele entrou para a obra missionário como colportor entre a colônia americana em Santa Bárbara, logo após o batismo. Porém, pouco tempo depois assumiu a direção da primeira escola adventista, em Curitiba, PR, e também estabeleceu a educação adventista em Gaspar Alto, SC. Em julho de 1900, ele lançou a primeira edição de O Arauto da Verdade , revista de cunho evangelístico, produzida no Rio de Janeiro. Em maio de 1902, a Missão Brasileira foi elevada ao status de Associação Brasileira, com 900 membros, e Guilherme Stein Jr. passou a integrar sua comissão executiva. Huldreich F. Graf era o presidente.
Em 1906 foi organizada a União Sul-Americana e a Associação Brasileira foi dividida em quatro: entre elas estava a Missão São Paulo, com apenas 23 membros e uma igreja. Emílio Hoelzle era o presidente e Stein Jr. o secretário-tesoureiro. Em 18 de julho de 1907, foi criada em Rio Claro, SP, uma organização jurídica denominada Associação dos Adventistas do Sétimo Dia no Brasil. A organização jurídica era necessária numa época em que a igreja começa a formar seu patrimônio. Com essa medida, a administração poderia realizar movimentações financeiras, adquirir e vender propriedades em nome da Igreja Adventista, entre outras coisas.
“Em pouco mais de 12 anos, Guilherme Stein Jr. já havia exercitado a colportagem nas colônias de imigrantes americanos e suíço-alemães no interior de São Paulo, iniciado trabalho pioneiro na obra educacional com a direção e o magistério das duas primeiras escolas adventistas no sul do país, assumido a direção editorial do primeiro periódico denominacional no Rio de Janeiro, recebido as credenciais de ministro licenciado e acumulado experiência suficiente para participar de forma eficaz na administração da Igreja Adventista do Sétimo Dia tanto na Missão São Paulo, que se havia criado com sede em Rio Claro, como nas organizações superiores.”
Como se não bastasse, Guilherme Stein Jr. ainda foi responsável pela tradução do livro Caminho a Cristo para o português, O Grande Conflito , entre outras importantes obras adventistas. Também foi autor de centenas de artigos e do livro O Sábado , distribuído pelos colportores. Proveniente de uma família de nove filhos, ele nasceu no dia 13 de novembro de 1871, em Campinas, e foi casado com Maria Krähenbuhl, sua prima de segundo grau. O casal teve uma filha, Alice Irene, e três netos: Ilíria, Guilherme e Fernando. Com uma vida marcada pela audácia do pioneirismo, Guilherme Stein Jr. descansou na esperança do breve retorno de Cristo, falecendo em 5 de outubro de 1957. A bandeira empunhada por Stein foi passada a outros homens de coragem e fé que tornaram possível o avanço constante do causa de Deus.
Até a primeira década do século 20, a pregação da mensagem adventista organizada estava restrita ao interior, principalmente entre os imigrantes europeus. Em 1911, os primeiros esforços missionários eram empreendidos na capital de São Paulo. Jacob G. Kroeker, superintendente da Missão Paulista de 1910 a 1914, relata que naquele ano seis pessoas foram batizadas e haviam 12 membros filiados à Escola Sabatina, na capital. A casa alugada para as conferências teve os vidros quebrados na primeira noite, mas o trabalho continuou com sucesso.
Vencendo desafios e superando barreiras, o Campo paulista alcançou um progresso sustentado na década de 1920, acompanhando o crescimento da igreja no país. Em 1916, a Divisão Sul-Americana foi estabelecida em Buenos Aires, Argentina. Em 1918, a União Norte Brasileira foi desmembrada da União Brasileira. No ano seguinte, a divisão foi refeita com maior equilíbrio entre os Campos, que passaram a se chamar União Sul-Brasileira e União Este-Brasileira. A Missão Paulista estava entre os cinco campos que compunham a União Sul.
Em virtude do progresso missionário e patrimonial, em 1922, a Missão Paulista foi elevada ao status de Associação. Não foram encontrados registros sobre a medida no noticiário adventista, naquele ano. Porém em 1924 há o registro da primeira assembléia da Associação Paulista. H.B Westcott era presidente e C.L Bauer, tesoureiro e secretário. Um exemplo da força da nova Associação podia ser notado nos 193 batismos alcançados em 1923, o “maior número de batismos dos Campos da União Sul”.
De um humilde início, marcado pelas bênçãos divinas e a incansável atuação de valorosos pioneiros como Guilherme Stein Jr., o Estado de São Paulo tornou-se um solo fértil para a mensagem adventista, no Brasil, alcançando destaque mundial no cenário eclesiástico. Muitos fatos e conquistas poderiam ser somados a esse breve relato. Mas no capítulo seguinte iremos saltar algumas décadas, chegando ao ano de 1977, em que foi votada a divisão da Associação Paulista, a primeira partilha estadual, no Brasil.
Referências
Os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da Divisão Sul-Americana , págs. 80 e 81, estabelecem 12 parâmetros que definem os procedimentos para elevar uma Missão ao status de Associação. De acordo com essas diretrizes, a existência de recursos humanos e financeiros que permitam o desenvolvimento auto-sustentável da organização regional tornam recomendável a criação de uma Associação. Enquanto não puder caminhar com as próprias pernas, bem como auxiliar outras regiões, o Campo é considerado um território de Missão.
Além da Missão Paulista, os demais campos que compunham a primeira divisão do território brasileiro em regiões administrativas eram os seguintes: Associação Sul-Rio-Grandense, Associação Santa Catarina-Paraná e a Missão Norte, com o restante da geografia nacional.
Seventh-day Adventist Encyclopedia , vol. 10, pág. 187.
Vieira, Ruy. Vida e Obra de Guilherme Stein Jr. – Raízes da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil. (1ª ed) Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 179 e 180.
Revista Mensal , agosto de 1911, pág. 6.
Revista Mensal , abril de 1916, pág. 1.
Revista Mensal , dezembro de 1918, pág. 8.
Revista Adventista , outubro de 1986, págs. 42-44.
Revista Adventista , abril de 1924, pág. 11
Breve Histórico Administrativo da Associação Paulista Central da Igreja Adventista do Sétimo Dia
