
"Quando os filhos virem o exemplo nos pais, responsáveis e educadores, principalmente supervisionando o acesso na internet, estes materiais negativos poderão ser combatidos de fato"
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Como você tem cuidado de seu sistema sensorial? Esta preocupação foi o alvo de um estudo que realizei junto a Universidade Federal de Lavras na especialização de Matemática e Estatística deste ano.Foram consultados 80 profissionais da região de Campinas, interior de São Paulo, para apresentarem os efeitos da internet no usuário adolescente. Estes profissionais fazem parte de quatro áreas diretamente ligadas ao adolescente: saúde física, saúde mental, educacional e religiosa.
O ponto principal foi a preocupação com o que entra em nossa mente através dos órgãos sensoriais, pois tudo que entra por eles ficará, para sempre, armazenado no cérebro. Essas informações que fazem o homem e mulher ser e agir.
Além da internet, os profissionais, abordaram sobre a influência da música e das imagens no desenvolvimento, não só para adolescente, mas para todos, aconselhando seleção do que se ouve ou vê.
Ao compararem o computador com a televisão, apresentaram que entre eles há uma grande diferença porque, enquanto na televisão as imagens penetram no cérebro através da audição e da visão, no computador não são usados apenas dois dos órgãos dos sentidos. Nesse caso, o corpo todo se envolve na ação.
A Educadora do século 19, Ellen G. White, afirma: “A mente não deve estar continuamente submetida a uma intensa atividade, pois o delicado maquinismo mental vem a gastar-se, e o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado”.
EFEITOS NEGATIVOS
O aumento da violência e da promiscuidade é a tônica principal de todos os consultados. Eles apresentaram a tecnologia como grande influência na indisciplina, desrespeito, violência em sala de aula, desatenção, falha no processo ensino-aprendizagem, consumismo e doenças relacionadas ao sedentarismo.A falta de concentração e impaciência são apresentados como alguns problemas decorrentes do excesso de informação e também da velocidade em que o pensamento é estimulado, assim sendo uma “doença” moderna pós-informática.
A psicanalista e neuropsicóloga infantil Ana Olmos afirma: “A hiperestimulação sensorial mudou a própria percepção das crianças de hoje em dia. Há muita imagem, muita surpresa, muito título e pouco conteúdo.” A base do erro é provocar resposta mais emotiva do que racional.
A contínua exposição a cenas de violência reforça a conduta agressiva e indiferença ao sofrimento alheio, mas essas informações não são capazes de criar um comportamento, mas podem permitir que uma vontade que já estava lá se materialize.
A erotização do cotidiano preocupa os especialistas. Essa intensa erotização atinge em cheio a infância, despertando antes da hora o interesse pelo sexo. Jovens que assistem com freqüência a programas com conteúdo erótico são duas vezes mais propensos a precocidade nas relações sexuais. Além disso, 30% do conteúdo da internet é feito de material pornográfico. Segundo as pesquisas, os viciados em pornografia na Internet levam mais tempo para se recuperar do que drogados que usam crack ou cocaína. O fenômeno tem implicações comportamentais e uma surpreendente implicação econômica. Arruína casamentos e afasta as pessoas dos relacionamentos normais.
SOLUÇÃO PARA OS EFEITOS
Os meios tecnológicos devem ser estimulados aos adolescentes, mas não a inutilidade e ociosidade. Deve-se buscar um trabalho monitorado, útil e capacitador. O maior problema de nossos dias é, na verdade, a carência de bons exemplos. Não é possível deter, na rede a expansão dos conteúdos violentos ou pornográficos, mas é possível impedi-los de expandirem-se dentre de nossas casas.
Quando os filhos virem o exemplo nos pais, responsáveis e educadores, principalmente supervisionando o acesso na internet, estes materiais negativos poderão ser combatidos de fato. Precisamos ter o desejo de ser diferentes. Cinqüenta por cento dos efeitos negativos da internet são escolha do adolescente e cinqüenta por cento vêm da decisão dos pais em permitir o uso indiscriminado da rede. O importante mesmo é haver critérios de seleção no que entrará em nosso cérebro.
Necessitamos de uma transformação completa no sistema de ensino, nas escolas e nos lares, mas essa transformação só terá sucesso se começar na mente de pais e educadores.
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