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O dia em que as pedras falaram

Israel Rodrigo de Godoy
Pastor


Israel Rodrigo de Godoy
Pastor distrital de Ribeira

 

 

Asseguro-vos que, se eles calarem, as próprias pedras clamarão. Lucas 19:40

Por ocasião da ascensão de Jesus ao Céu, em suas últimas palavras aos discípulos, o Mestre fez a maravilhosa promessa de que eles haveriam de receber um presente de sua parte por ocasião de sua partida. “Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” Atos 1:8.

Desde então, os discípulos buscaram fervorosamente e incessantemente o poder do Espírito prometido por Jesus. Por meio dEle seriam testemunhas poderosas das obras realizadas por Cristo, poderosos ganhadores de homens e mulheres para o reino de Deus.

Reunido em oração, aquele grupo pequeno perante uma nação, mas considerável aos olhos de Deus, foi revestido pelo poder do Espírito Santo e, com seus corações ardendo em chamas, saíram por toda Jerusalém a apregoar as boas novas de salvação. Os capítulos seguintes do livro de Atos apresentam a poderosa influência que o Espírito de Deus causou na vida de seus discípulos e no coração da igreja apostólica. Conversões, milagres, vidas sendo transformadas pelo testemunho de um grupo de homens e mulheres que se colocaram como atalaias, precursores da graça de Cristo e de seu retorno a essa Terra.

Tempos antes, Jerusalém fora o palco de um dos maiores acontecimentos no ministério de Jesus Cristo narrado em Lucas 19:28-40. Era a semana da paixão. Jesus estava subindo em direção a Jerusalém. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao Monte das Oliveiras, Jesus envia dois de seus discípulos para buscarem um jumentinho.

Eles trouxeram o jumentinho até Jesus e o ajudaram montar. Conforme Cristo passava, o povo estendia as suas capas no caminho. Perto de Jerusalém, na descida do monte das Oliveiras, uma grande multidão de seguidores ia com Ele. E eles, cheios de alegria, começaram a louvar a Deus em voz alta por tudo o que tinham visto. Eles diziam: — Que Deus abençoe o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória a Deus! Alguns fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: — Mestre mande que os seus seguidores calem a boca! (Lucas 19:36-39). O pedido dos fariseus era ofensivo, Jesus, porém responde: “Se eles calassem as pedras haveriam de clamar por eles”.

Mesmo que os homens viessem a se aquietar no testemunhar a respeito do evangelho em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra, as pedras iriam clamar, anunciando a Cristo e a mensagem de arrependimento de pecado antes que findasse o tempo oportuno para a salvação.

Quando não buscamos o derramamento do Espírito Santo em nossa vida, e não saímos do comodismo, da covardia espiritual para anunciar Cristo ao mundo, ou mesmo quando colocamos o papel da conversão nas mãos dos homens, podemos nos tornar candidatos a expectadores das pedras que clamarão em favor da salvação das pessoas.

Como pastor em uma pequena cidade do interior de São Paulo, nossas lutas e dificuldades se assemelham ao que qualquer ministro encontra em nossas igrejas quando se fala sobre o comprometimento e envolvimento missionário. Normalmente, um pequeno grupo que se apresenta para o trabalho.

Numa manhã de sábado, eu havia programado uma festa batismal. Convidei o pastor Reginaldo Paulino para realizar a cerimônia. Ao nos dirigirmos até a igreja em uma cidade vizinha, comentei com colega, a respeito dos roupões que eu estava levando a mais, para um grupo de pessoas que estavam preparadas para o batismo. Elas haviam recebido os estudos, suas fichas estavam parcialmente preenchidas, só, não tinham tomado a decisão.

Pedi que ele fizesse um apelo especial e diferenciado a este grupo. Não era para falar de uma decisão e preparativos para o próximo batismo, mas que aquelas pessoas deveriam se batizar naquele dia.  Creio que quando uma pessoa toma o conhecimento da verdade, quando Cristo a convida a entregar-lhe a vida, não existe um próximo batismo.

Filipe pregando ao eunuco no caminho para Gaza, ou quando Paulo e Silas pregaram ao carcereiro, não foi necessário um período de espera para o próximo batismo na data marcada pelo pastor da igreja, não foi necessário tempo para a igreja avaliar se realmente eles estavam convertidos, bastou o convite e, nos dois casos, houve o “novo nascimento”.

O apelo era para ter um sentido, de que aquele era o dia, a hora e o momento certo. Eles não poderiam deixar passar a oportunidade que Cristo os estava concedendo. Era naquele momento que deveriam romper definitivamente com o pecado e escrever seus nomes no Livro da Vida.

O pastor Reginaldo fez o apelo do tanque batismal. Ao seu lado eu orava. Mesmo após o término da música especial, o ministro de Deus reforçou o convite de entrega e decisão. Enquanto orava, ouvi um pequeno barulho na congregação. Pude ver uma pessoa comovida, que se humilhava diante do chamado de Deus e caminhava em minha direção. Aquela cena expressou nitidamente a necessidade que temos de, como Igreja, anunciar a última mensagem antes de ouvirmos de Cristo, “está feito”. Precisa ser agora, não posso deixar para depois.

Precisa ser agora, não podemos ser omissos em não anunciar essa mensagem ao mundo. Não podemos permitir que Cristo volte sem que vidas tenham tido a oportunidade de conhecê-Lo e tomarem sua decisão. Em seguida, uma segunda pessoa, que durante meses eu orava por ela, levantou-se. Foi comovente ver aquelas duas senhoras entrando no tanque batismal naquela manhã de sábado. Sentia que o céu chegara a Terra e a Terra invadira o Céu. Três decisões, três novos nascimentos, uma pedra gritando.

Uma das pessoas, que naquela manhã selou seu compromisso com Cristo, estava assentada na companhia de outras duas, que não eram membros da Igreja. Enquanto o ministro mantinha o convite de Deus, enquanto eu orava, o poder do Espírito Santo agia. Alguém que não conhecia os ensinamentos apresentados pela igreja remanescente, alguém que não fazia parte da Igreja, motivou outra pessoa a se levantar. “Quer que eu vá frente com você? Eu te acompanho até no tanque.” Naquele dia, Deus usou uma “pedra”.

Após o batismo, emocionada com a decisão de entregar-se a Cristo, aquela ovelha conversando comigo, confessou: — Se não fosse minha irmã a me incentivar eu não conseguiria. Se não fosse uma pedra a clamar, a decisão não seria tomada.

Em casa, com mais calma, passei a refletir no que havia presenciado naquele dia. Lembrei então das palavras ditas pelo Senhor, “Se eles calarem as pedras clamarão”. Naquela manhã reconheci um pedra enviada por Deus para falar ao coração de um pecador.

Não podes deixar para depois
Se eu não falar, se eu viver a religião do conforto, as pedras então clamarão. É chegado o momento em que no relógio de Deus soará as badaladas da meia-noite. Vivemos em um momento de trevas e, por isso, a luz necessita brilhar na vida dos homens.

Nesse período que antecede a volta de Cristo, o Espírito Santo está sendo derramado na igreja e sobre os homens. A ordem de testemunhar até os confins do mundo é claramente ouvida. Precisamos falar, precisamos insistir, não podemos deixar vidas perecerem. Pessoas sinceras devem ser conduzidas às águas. Pessoas devem morrer para o pecado e nascer para Cristo. Nossa responsabilidade é grande.

E Jesus pergunta: “Posso contar com você hoje?” 

Israel Rodrigo de Godoy – Pastor distrital de Ribeira

 


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