
Pr. Fernando Beier
Distrital em Itu - SP
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“Desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor que demonstram para com todos os santos, não deixo de dar graças por vocês”. Efésios 1:15 e 16. NVI
Era noite de sexta-feira e resolvi ler um pouco antes de dormir, peguei um livro de histórias e uma delas me chama a atenção. Conta da dedicação de uma enfermeira a uma paciente com aneurisma cerebral. Esta mulher enferma era incapaz de sentir dor e alheia a tudo o que se passava ao seu redor. Ninguém no hospital demonstrava a mínima atenção por ela, a não ser aquela enfermeira que conversava com a paciente muda, cantava para ela, e chegou até mesmo a presenteá-la com algumas lembrancinhas.
Ao terminar de ler, tocado pelo relato, fiquei a me perguntar: Isso é mesmo possível? As pessoas são capazes de amar sem querer nada em troca?
Foi quando me veio a lembrança algo que aconteceu em minha igreja na semana anterior no culto jovem. Alguns membros convidados de uma igreja da periferia paulistana realizavam a programação. Perto do encerramento, o conjunto musical posicionou-se para a última canção. Enquanto observava sua locomoção até a plataforma (eu estava sentado no penúltimo banco), fiquei pensando na disposição daquela gente. Estavam conosco desde a parte da manhã e possivelmente, acordaram bem cedinho para poder chegar a tempo em nossa igreja. Animados, conduziram toda a programação matinal. Almoçamos juntos num salão apertado próximo à cozinha de nossa igreja. Apesar da falta de espaço e da fila enorme para pegar a comida, não me lembro de ter visto ninguém de cara amarrada. Todos eles deixaram o conforto de seu lar para nos trazer um pouco de sua alegria e motivação.
Agora estavam todos ali, sorridentes para o hino final. A melodia começa e soa tocante, foi então que meus olhos fixaram-se em uma senhora de cabelos brancos. Não sei como explicar isso, mas, de alguma forma, sentia que ela cantava com toda a força do coração. Logo pude observar lágrimas escorrendo em sua face. Ela cantava, sorria e chorava. Ela está sentindo dor ou alegria? Seu coração está triste por algum problema ou é simplesmente gratidão?
Alguns membros do coral também notaram a comoção daquela senhora e então, pude contemplar lágrimas em diferentes pessoas do palco. Mesmo sem saber ao certo o que existia dentro de cada coração ali, eu também sou contagiado pela emoção.
De repente, acontece algo inesperado, uma mulher na platéia se levanta durante a música, caminha em direção àquela senhora, coloca-se ao seu lado dando-lhe um abraço e sussurra algo em seu ouvido. Aquele ato desencadeia um efeito dominó e, uma a uma, as pessoas se levantam e escolhem alguém do coral para abraçar. Noto que até os mais tímidos dirigem-se ao palco com uma atitude desembaraçada. Os bancos ficam vazios e apenas um bloco de pessoas se forma junto ao púlpito. Posteriormente, alguém disse que esse bloco tinha o formato de um coração, e por que não?
Sou chamado para fazer a oração de despedida. Enquanto me dirijo até o microfone, penso por um instante nos defeitos que a igreja possui. Me pergunto se aquelas pessoas fariam o mesmo depois de viverem juntas por alguns meses. Mas que importância isso tem agora? A cena que eu presenciava eclipsava qualquer outra coisa. Naquele momento, num vislumbre da graça, me senti perto do céu. Talvez não fosse algo tão fantástico como a história da enfermeira, contudo, eu percebi uma realidade confortadora: apesar dos obstáculos, estávamos no caminho certo.
Pr. Fernando Beier – Distrital em Itu - SP
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